Sem dúvida vivemos tempos incertos, em tão pouco tempo fomos surpreendidos de uma maneira pouco aprazível, que colocou às nossas portas inúmeras preocupações, que até então, não faziam parte da nossa realidade e uma dessas incertezas diz respeito a configuração do cenário econômico. Para a grande maioria dos brasileiros, a possível instalação de uma crise financeira, revelará fragilidades na instância pública e privada, gerando consequências na vida dos indivíduos, pois apesar da vulnerabilidade econômica com a qual já convivíamos, não estávamos preparados para lidar com as perdas e mudanças que se apresentam, a angústia quanto a manutenção de um emprego, a relevância sobre o serviço prestado, o medo em não conseguir arcar com nossos compromissos financeiros, enfim, os questionamentos são muitos e todos são pertinentes. Pensar em um mundo marcado pelo antes, durante e depois de uma pandemia pode ser desesperador, por isso dialogar agora sobre saúde mental se faz tão necessário. A rapidez com que a COVID-19 invadiu nossos lares e rotina, possibilitou que a sensação de medo e angústia também se fizesse presente, e sim, está tudo bem…é perfeitamente natural sentir-se dessa maneira, se perceber inseguro diante de situações adversas e desconhecidas fazem parte da nossa humanidade, não há nada errado com isso, afinal quem não se sente em dúvida frente a grandes decisões e mudanças?! Em 2011 a World Health Organization (WHO) publicou um manual no qual relacionava uma crise financeira aos impactos na saúde mental, ficando evidenciado que os índices relativos à ansiedade, stress e depressão tendem a aumentar significativamente quando há insegurança no setor econômico. Por isso, é preciso observar a si próprio nesse momento e não permitir que esses sentimentos saiam do controle, evitando assim o surgimento de doenças emocionais. Quando falamos de saúde, às vezes é difícil avaliar aquilo que não conseguimos ver, porém, ficar atento para reações como ansiedade, pânico e melancolia possibilita que tenhamos uma maior conexão conosco e, portanto, que seja possível reconhecer se estamos bem ou não. Em uma situação adversa, seja ela de qual natureza for, a saúde mental é fonte de sustentação para o bem-estar, é o que nos permite ter ajustamento emocional e resiliência perante o stress. Cuidar do aspecto emocional, se mostra agora tão importante quanto proteger nossa integridade física, pois a possibilidade de uma sociedade adoecida psicologicamente também é preocupante. Mas e o que podemos fazer, se tudo parece tão inconstante? Para começar, respire…longa e profundamente, depois entenda, se não está sob seu controle, não há nada a fazer, pensamentos improdutivos e pessimistas dificultam nossa efetividade acerca do que deve ser feito, de nada adianta bombardear-se de informações e nutrir ideias catastróficas, isso servirá apenas para ampliar a ansiedade e desviar seu foco das inúmeras possibilidades que podem ser exploradas em um momento de conflito. Não entenda o isolamento como um lugar de solidão, quando conseguimos modificar a interpretação sobre um fato, é muito mais tranquilo conviver com ele, se o abandono das atividades ocupacionais te angustia, pense que agora você poderá estar mais presente junto aqueles que são significantes em sua vida, você precisará também de capital emocional para perpassar por isso, para aprender novas formas de conviver em sociedade e até mesmo para explorar recursos e possibilidades criativas, a fim de manter-se em movimento em sua prática trabalhista. Proponha-se estar em atividade, não dê muito espaço a negatividade, o autocuidado é muito bem-vindo, leia, faça um curso on-line, maratone as séries que estavam há tempos na sua lista, esperando justamente você fazer uma pausa e não abra mão de ter uma rotina, pois ela aumenta sua sensação de segurança, em função do domínio de espaço e tempo. Pratique a auto generosidade, faça o que te faz bem, cuide-se e não absorva tudo, filtro agora é medida de sobrevivência, ok? A economia se recupera, já sua saúde mental pode vir a te causar prejuízos a médio e longo prazo, comprometendo inclusive sua funcionalidade quando a recuperação econômica for oportuna. Entenda, nada é fixo, tudo é transitório e isso também será, precisamos de paciência e discernimento, para que não tão longe possamos nos deparar com caminhos transformadores.

Camila Campos
Psicóloga CRP 22/0638

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