Empresário e presidente da ACM, Felipe Mussalém

Essa afirmação é do jovem empresário Felipe Mussalém, que passou por movimentos de empreendedorismo jovem no estado do Maranhão e nacional – como a Conaje – e hoje ocupa o cargo de presidente da Associação Comercial do Maranhão (ACM) para o biênio 2017/2018. Com 36 anos, Mussalém é também gestor da Escola da Família e empreende em um negócio próprio na área de treinamentos corporativos. “Participei ativamente do processo sucessório da empresa família, com quase 30 anos de mercado. Atualmente, sou diretor de gente e gestão da empresa e divido a gestão com meu irmão e sócio. Na minha própria empresa, criei o conceito de coaching na cidade, sendo a primeira empresa especializada e me tornando uma referência no segmento”, afirma. Nesta entrevista, o jovem empresário e presidente da ACM fala um pouco mais sobre sua trajetória, as dificuldades e os benefícios de empreender no Brasil, o cenário para quem quer investir no empreendedorismo, participação na Conaje, desafios à frente da Associação Comercial do Maranhão, entre outros temas. Confira!

Como foi no início, quando iniciou como empreendedor, e como é hoje?
O meu maior desafio como empreendedor foi encabeçar a transição da empresa no processo sucessório, buscando profissionalização da gestão sem perder a essência do ato de educar, ainda tão apreciado pelas famílias. Como diria Che Guevara, precisávamos endurecer e profissionalizar a gestão da empresa, sem perder a ternura de uma escola. Hoje, tenho a minha liderança consolidada e planejamento empresarial bem feito.

Que avaliação faz do empreendedorismo jovem no Brasil?
Cada vez que conheço pessoas, mais surpreso eu fico com a força jovem. A prova disso é a nossa eleição. Todos apostam no jovem e nós não fugimos do páreo. Pelo contrário, vejo o jovem cada vez mais imbuído do papel transformador e se qualificando para assumir tais papéis. O jovem tem o gás que o Brasil precisa para mudar.

O que ainda precisa avançar?
O ecossistema como um todo. Menos burocracia para negócios, aproximação entre investidores e as ideias, incentivos fiscais, criação de programas de educação empreendedora, guerra fiscal entre os estados, livre negociação trabalhista… nossa, muita coisa.

Qual é a dificuldade de ser empreendedor jovem?
Experiência, é claro. Por mais capacitado que sejamos, sempre vai faltar um “quê” que só a experiência dará. Negócios são voláteis e não temos certeza do que será amanhã. A experiência poderá dar ao jovem a calma que ele precisa para tomar as decisões. Não estou generalizando, contudo, percebo que o jovem tende a ser mais imediatista, justamente pelo “pique” que ele tem em realizar.

Quais são os benefícios?
O pique que falei há pouco. O jovem está com o gás e com muita vontade de ver o Brasil dar certo. O jovem de hoje está mais qualificado para aproveitar as oportunidades, transformando, assim, o perfil do empreendedor brasileiro que antes era por necessidade e hoje predomina o empreendedor por oportunidade. Acredito muito que essa virada seja creditada ao jovem empreendedor.

Quando iniciou em movimento de empreendedor jovem? Por que resolveu fazer parte?
Iniciei em 2009, no InterAJE, um evento de capacitação e relacionamento cujo tema era sucessão familiar. Levei meus irmãos que também eram meus sócios. Daí conheci um conjunto de jovens diferenciados. Cito, entre tantos, o Fabrizio Dualibe, então presidente da AJE (Associação dos Jovens Empresários do Maranhão) e uma daquelas pessoas que lhe faltam adjetivos para descrever. Depois desse evento eu me filiei à AJE-MA e comecei a trabalhar por ela. Logo no ano seguinte coordenei um projeto, a Semana Estadual do Jovem Empreendedor, fruto de um projeto de lei. Levamos palestras e cases de sucesso para Faculdades da cidade. O projeto foi muito bonito, confesso. Daí para virar presidente foi uma questão de tempo e dedicação. Quanto mais atuava pelo empreendedorismo, mais apaixonado ficava.

Quais cargos já exerceu como empreendedor jovem (ou em movimentos ligados)?
Fui presidente da AJE entre 2012 e 2014, membro da Diretoria da CONAJE como coordenador do projeto Empreendedores do Futuro entre 2013 e 2015 e presidente do Conselho do Jovem Empresário da Associação Comercial do MA entre 2015 e 2016.

Você se inspirou em alguém para ser empreendedor? Se sim, em quem?
Com certeza. Nos meus pais. Aprendi em casa como se busca um sonho. Como fazer diferente. Meus pais mudaram de estado em busca de novas oportunidades e, após quebrarem em dois negócios – escolas – em Recife (PE), na cidade de São Luis empreenderam e hoje, 30 anos depois, a nossa empresa só cresce e se consolidou como um grande referencial na área.

Você já fez parte da Conaje? Como foi sua participação na Confederação?
Sim. Lembro como se fosse ontem, na posse do Paolilo (Rodrigo Paolilo, ex-presidente na gestão 2013/2015), em Brasília, ele virou pra mim e cochichou: “Mussalém, cuidado que você tem um dos projetos mais bonitos da Conaje nas mãos”. Coordenei da gestão dele o projeto Empreendedores do Futuro, que costurava programas de educação empreendedora com vários parceiros nacionais.

De que forma o empreendedorismo jovem contribuiu para o seu desenvolvimento e de seus negócios?
O relacionamento com todos os jovens do Brasil me fez e ainda faz crescer muito. A troca de experiências é fundamental. Já a nível local, tenho também certeza que o bom tralho que liderei a frente da AJE me projetou para a minha carreira solo, na área de treinamentos e desenvolvimento de pessoas.

Você foi eleito presidente da Associação Comercial do Maranhão? Como foi até chegar a essa conquista?
Foi de grande aprendizado. Primeiro por precisar mostrar a todos que chegara a vez dos jovens. Mas não qualquer jovem e sim dois jovens preparados tecnicamente pra isso e com uma história de dedicação e sucesso à frente do associativismo. Percebi que o discurso “bonito” de que o jovem é isso ou aquilo, fica apenas no discurso. Para os mais experientes é preciso mostrar competência que vai além do discurso. Na campanha já havia concluído que aprendera muito. A cada visita, a cada conselho que recebia, mais aprendizado acumulava. O resultado não poderia ter sido diferente. A partir de 2017 me tornarei o maior representante classista do meu Estado. E num momento ímpar da nossa economia e política. Minha geração vive pela primeira vez uma grande crise e agora me torno representante não apenas dessa geração, mas também de todas as outras.

A Conaje contribuiu, de certa forma, para que você chegasse a esse cargo?
Sim. Me favorecendo dos aprendizados que já citei aqui. Conviver com todos da Conaje me ajudou a ser um líder melhor e um associativista mais preparado.

Quais são suas metas para a Associação Comercial do Maranhão?
Nosso plano de gestão foi pautado em três pilares, nos quais vão decorrer todas as ações propostas que se entrelaçam entre os pilares. São eles Gestão, Inovação e Posicionamento. Não me estenderei a relatar essas propostas, contudo, deixo bem claro que o empresário será a nossa prioridade. Atuaremos a fim de fazer com que o associado se sinta representado pela casa e, aquele que ainda não é associado, sinta interesse em participar da casa, pois se sentirá bem representado. Não mediremos esforços para que isso aconteça. Atuaremos desde a busca por um posicionamento mais firme perante as entidades governamentais quanto na geração de negócios entre as empresas da rede.

Na sua avaliação, o que podemos esperar de 2017?
Um ano de retomada. Não será o ano de colher, ainda, contudo, o empresário que segurou até aqui terá sucesso. Acredito na retomada da estabilidade da economia e, com isso, mais oportunidades aparecerão a todos. E, para aproveitar essas oportunidades, o caminho passa pelo associativismo. Juntos somos mais fortes.